Você se vê como uma pessoa misericordiosa ou compassiva? Você se vê como espiritual ou religioso? Ou os dois?

Misericórdia e compaixão são o amor em ação, é um grito por justiça social. Uma expressão de amor a todas as criaturas humanas e animais. Na história cristã, São Francisco, o santo padroeiro da ecologia, é citado como tendo dito: “se você tem os homens que excluem quaisquer das criaturas de Deus do abrigo da compaixão e piedade, você tem os homens que lidam também assim com seus semelhantes”. Isto tem sido demonstrado na psicologia humana com os indivíduos que começaram a torturar animais e mais tarde tornaram-se criminosos. Ele também podem ser vistos nas indústrias corporativas que apoiam Guerras e abate de animais. Os dois estão interligados, muitas vezes envoltos no manto do patriotismo e da religião. Grandes caminhos são percorridos para convencer o público de que o sangue deve ser derramado para perpetuar a liberdade. Mas, verdadeiramente, a única liberdade que está sendo perpetuada é a liberdade de grandes empresas para dominar as massas com distrações e confortos de uma natureza quase narcótica. Induzida em um estupor de ideologia comercial que clamam pelos mais recentes gadgets, brinquedos, moda e bijuterias tudo na sincera esperança de ganhar a aceitação de nossos pares.

Religião e espiritualidade

Há uma diferença entre religião e espiritualidade. Uma pessoa pode ser religiosa e não espiritualmente consciente. Para algumas pessoas, a fé cega é tudo o que é necessário. A religião é uma disciplina, um exercício que pode e muitas vezes levar à consciência espiritual. Pode-se também ser espiritualmente consciente e não necessariamente religioso. Este parece ser o grito comum na literatura comercialmente disponível sobre o assunto. Mas, é, na realidade, a exceção, e não a regra. A verdade é que, porque vemos tanta informação sobre o assunto e queremos ser aceitos pelos nossos pares, nós fingimos. Isso não quer dizer que não existem verdadeiras pessoas iluminadas entre nós. Só significa que encontrar alguém realmente espirituoso é mais difícil.

Lutando por um mundo mais justo

Não adianta querer mudar o mundo sem também lutar para que as pessoas mudem de ideia. (Foto: ceticismo.net)

É fácil de ser mau, rude, vulgar, obsceno, destrutivo e raivoso. As pessoas que apresentam este comportamento estão em um momento de fraqueza. Também, não é tão fácil de ser agradável, gentil, compreensivo, compassivo, simpático ou até mesmo construtivo em algumas situações. Todas as religiões principais do mundo principais defende o conceito de misericórdia e compaixão. Mas apenas as pessoas que são verdadeiramente conscientes espiritualmente muitas vezes colocam esse conceito em prática em suas vidas diárias. E em menor quantidade estão aquelas que conseguem equilibrar os sentimentos ruins e os bons em suas vidas.

As religiões e a compaixão

Ahimsa é um termo que significa em sânscrito não fazer mal (literalmente: evitar a violência – himsa). É um princípio importante das religiões que se originaram na antiga Índia (hinduísmo, budismo e especialmente, o jainismo). Ahimsa é uma regra de conduta que proíbe matar ou ferir de seres vivos. Ela está intimamente ligada com a noção de que todos os tipos de violência implicam em consequências negativas cármicas. À medida em que o princípio da não-violência pode ou deve ser aplicado a diferentes formas de vida tem sido objeto de controvérsia entre várias autoridades, movimentos e correntes dentro das três religiões e tem sido um assunto de debate durante milhares de anos. O cristianismo, em uma interpretação original e pura, também abraça essa filosofia, chamando isso de compaixão, do amor pelo próximo.

Compaixão

Não seríamos nada sem nossos amigos animais, e eles precisam de nós para defendê-los. (Foto: anda.jor.br)

Compaixão

Para os cristãos, qualquer compaixão é moldada e enraizada na paixão de Jesus, onde a sua consciência do sofrimento levou-o a fazer algo sobre isso. Tomando sobre si todo o sofrimento pelos erros da humanidade e abolindo o sacrifício de animais que eram usados para apagar os pecados ou erros que causam os males da humanidade. Para aqueles que possuem a empatia de se colocar no lugar do outro, pode parecer como uma maldição, para aqueles que querem essa empatia, isso poderia parecer como uma dádiva. Mas ninguém precisa de um dom para ter compaixão. Você só precisa de amor suficiente em você para querer que alguém não sofra ou pelo menos que a dor se torne mais suportável.

A empatia pode levar a simpatia. Simpatia é ficar triste com a tristeza dos outros. Compaixão é mais do que um mero desejo de ajudar, cria-se uma determinação, uma decisão de realmente ajudar, mesmo que apenas em alguma maneira. Compaixão coloca algo de si mesmo na linha: talvez o seu poder sobre alguém, ou o seu tempo, ou riqueza, ou esforço, ou habilidades de cura. Compaixão difere da misericórdia em que a compaixão é sobre uma conexão emocional, enquanto a misericórdia é sobre uma ação. A compaixão pode levar a misericórdia.

Unindo-se para um bem maior

Ao lutar por aqueles que não podem fazê-lo, você tem um melhor senso de união e de pertencimento ao mundo. (Foto: consciencia.blog.br)

 

O veganismo e a espiritualidade

Abraham Lincoln disse certa vez: “eu sempre achei que a misericórdia dá frutos mais ricos do que a justiça estrita”. Na Bíblia, Jesus diz algo parecido: “bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão a misericórdia”.

Levando tudo isso em consideração, a religião mais adequada para viver sua vida de acordo com as experiências e convicções, além do envolvimento com o veganismo, vai depender de sua vivência, experiência e interpretação filosófica da religião. A ideologia vegan não é apenas uma dieta simples, mas é uma afirmação social, um protesto e ativismo direto. Ao se recusar a comer, usar ou vestir produtos de origem animal, você não só diminui sua emissão de carbono, mas também não está participando direta ou indiretamente com o sofrimento desnecessário e/ou exploração dos animais ou trabalhadores na indústria ou na destruição do meio ambiente e do planeta. Saber disso, ter espiritualidade e compaixão não apenas pelos animais, mas também pelo próximo, está acima de qualquer religião, e vai em uma questão muito mais profunda, que é a sua espiritualidade.

 

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Um comentário para “Espiritualidade e veganismo! Qual a religião mais adequada?”

  1. Anna Zenni

    Gostei muito do seu texto. Excelente reflexão!

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