As chances são de que você virou um vegan, defende os direitos dos animais e quer que todos façam o mesmo, em prol de um mundo melhor. Acontece que todos somos diferentes e devemos respeitar isso. Defender o veganismo atacando aqueles que não o adotam como estilo de vida é a mesma coisa que fazem os fanáticos religiosos contra crenças diferentes das deles.

Se você convive em um meio onde a maioria das pessoas são vegan, as chances de você ser um extremista são muito altas. Isto porque poucos irão discordar da sua filosofia de vida e você poderá falar mal dos “comedores de carne” o quanto quiser. Isso é ok quando você está com eles. Mas saiba separar este momento de desabafo com momentos de interação social com seus amigos fora desse círculo.

Uma situação muito comum para os vegans que convivem em ambientes heterogêneos é o convite para o churrasco. Carnes de todos os tipos, além dos mais variados derivados de animais. Seu primeiro pensamento é recusar o convite. E já é o terceiro churrasco da galera que você perde. O pessoal já fica desanimado em te chamar para programas diferentes. O que fazer então?

Preservação da flora e fauna

Temos que cuidar de nosso planeta. Mas achar que o desespero e o ativismo radical vai mudar alguma coisa além de errado, ofende e prejudica muitas pessoas boas no mundo. Como fazer então para não ser um ecochato? (Fonte: udg.edu)

Primeiro: largue mão de ser um vegan chato. Você está agindo igual a um extremista religioso que se recusa a ir ao casamento de amigos só porque são de outra religião. Seus amigos vão fazer um churrasco? Ótimo, deixe claro que você não come carne nem derivados animais e peça para que eles comprem frutas, vegetais, o que for. Pesquise receitas e fale os ingredientes que precisa. Note que na maior parte das vezes você fará seu próprio churrasco, podendo inclusive conquistar os não veganos pelo estômago sem citar o sofrimento pelo qual passam os animais pela enésima vez. Se o cheiro da carne queimando faz mal, fique longe da churrasqueira. Leve na esportiva brincadeiras com seu estilo de vida e aproveite para brincar com seus amigos. Isso tudo também vale para rodízios em pizzarias e churrascarias, visitas a redes de fast food e afins.

Tem dias em que você vai acordar querendo mudar o mundo. Vai querer postar trocentas imagens defendendo a causa vegan no facebook. Vai palestrar aos seus amigos a importância de um mundo mais consciente.

Isso não está errado. Temos de sempre lutar por um mundo mais justo. Mas por que ao invés de ficar falando e mudando os outros você não começa a agir? Existem várias ONGs que precisam de trabalho voluntário pelo Brasil. Outras, precisam de doações. O tempo que você gasta tentando convencer os outros poderia investir em uma dessas nobres atitudes. Assim, ao invés de pregar uma ideologia, você passa a ser um exemplo para outros. Se você ficar postando tudo isso no facebook e tentando convencê-los a fazer o mesmo, também não é legal. Deixe as coisas seguirem um rumo mais natural e as pessoas fazerem suas escolhas.

Ativismo ecológico

Se você acha que as ações do Greenpeace estão sempre certas, pense duas vezes: em um livro, um ex ativista do movimento confirmou que a ONG manipulava dados sobre o planeta para angariar mais recursos financeiros. Será isso o correto a ser feito? (Fonte: greenpeace.org)

Muito chato é saber o quanto o mundo ainda precisa melhorar. O quanto maltratamos a natureza, abusamos de seus recursos. As ferramentas do capitalismo destruindo a vivência harmônica entre as espécies. Se em todo encontro familiar você lembra a todos disso, além de ser uma visão depressiva de mundo, você estará sendo no mínimo inconveniente. Ao invés de atrair pessoas para a causa, você irá afastá-las. Legal, você tem 30 argumentos diferentes para convencer um ser humano a parar de comer carne. Mas isso o fará uma pessoa mais feliz? Ele já sabe que precisará de uma dieta diferente para não ter problemas de saúde? Você se deu o tempo para explicar que este estilo de vida, de início, pode ser mais caro?

São muitas coisas que você teve que sacrificar para virar um vegan. Temos aquela sensação permanente de que podemos mudar o mundo. Mas temos de ir com muita calma. Nada vai acontecer de uma hora para outra. Os costumes dos consumidores de carne vão continuar os mesmos por muito tempo. O que você pode fazer é mudar a si mesmo e, com suas atitudes você construa um futuro melhor. Escreva, participe, converse, dialogue. Deixe sempre claras as dificuldades em se tornar um vegan. Busque aconselhar, não pregar sua visão de mundo. Mostre os benefícios de uma vida mais saudável, com a prática de exercícios e uma alimentação mais saudável.

Seja diferente: seja um vegan legal e não um ecochato.

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